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Culture 1990 · Nova York

PLUR: paz, amor, unidade e respeito

A frase gritada num microfone durante uma briga virou o código não escrito da cultura rave

PLUR: paz, amor, unidade e respeito

Quatro letras, um microfone e uma briga prestes a destruir uma festa: foi nessas condições, e não numa sala de reunião de marketing, que nasceu o código ético mais duradouro da cultura eletrônica.

Nova York, 1990

A origem remonta a 4 de julho de 1990, quando um grupo de ravers de Nova York planejou pintar vagões de metrô com a frase "Peace Love and Unity", gesto que plantava a semente de um movimento. Na época, o conceito circulava como P.L.U.M., Peace Love Unity Movement.

Storm Rave, 1993

O nome que conhecemos hoje ganhou forma em junho de 1993, num dos Storm Raves promovidos pelo DJ Frankie Bones no Brooklyn, festas que ele organizava depois de trazer para os Estados Unidos o espírito do acid house britânico que vivera de perto na Inglaterra. Durante uma dessas noites, uma briga estourou na pista. Bones parou a música, pegou o microfone e disparou a frase que ficaria famosa: se vocês não começarem a mostrar um pouco de paz, amor e unidade, ele quebraria a cara de quem continuasse brigando.

A ironia, uma ameaça de violência dando origem a um lema de pacifismo, nunca passou despercebida, mas é também o que torna a história verdadeira: PLUR não nasceu de cartilha teórica, nasceu de necessidade prática, de alguém tentando manter uma pista inteira em segurança sem nenhuma estrutura de segurança formal por trás.

De P.L.U.M. a PLUR

Dali em diante, o conceito evoluiu de P.L.U.M. para PLUR, incorporando Respeito à tripla original, e se espalhou por flyers, camisetas e adereços de clubes ao longo dos anos 1990, período em que a cena rave americana crescia sem os aparatos institucionais que hoje cercam festivais licenciados.

Funcionalmente, PLUR operava como constituição informal: numa festa clandestina, sem crachá de segurança e sem grade de separação, a sobrevivência do evento dependia de as pessoas se regularem mutuamente.

É fácil, hoje, tratar PLUR como bordado piegas de pulseira, e parte da cena sempre olhou para a sigla com ironia. Mas poucos códigos informais de subcultura sobreviveram três décadas de mudança de geração, gênero musical e geografia sem perder a função original. Isso não acontece por acaso: PLUR segue sendo o lembrete de que toda pista de dança é, antes de mais nada, um acordo coletivo.

Raver Lab Studio, São Paulo

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