Tem DJ que toca pra cena. Tem DJ que carrega a cena com ele. A diferença aparece no avião, na van de turnê, no after de cidade que ele nunca tinha visitado antes, quando o set começa a tocar igual independente de onde ele estiver.
Esses são os nômades: artistas que não representam um clube ou uma cidade, mas uma frequência. Eles atravessam gêneros do mesmo jeito que atravessam fronteiras, sem visto, sem pedido de desculpa, sem comprometer a identidade no caminho.
A mala do DJ
Durante décadas, DJ em turnê era sinônimo de case de disco. Uma noite de quatro horas pede dezenas de vinis, e quem viajava escolhia o repertório antes de sair de casa, sabendo que não ia ter como buscar mais nada no meio do caminho. Disco extraviado no aeroporto era a pior notícia possível.
A chegada dos CDJs com entrada USB mudou a mala. Hoje boa parte dos DJs viaja com dois pen drives, um principal e um reserva, e a biblioteca inteira cabe no bolso. Muita gente ainda leva vinil, por escolha, sabendo do peso.
Tocar onde não se conhece
Tocar numa cidade nova é ler uma pista que nunca se viu. O DJ nômade chega sem saber o que aquele público ouve, observa os primeiros minutos e ajusta. O que ele leva de uma cidade para outra é o jeito de montar o set, e é isso que faz o som dele ser reconhecível em qualquer lugar.
A cena de São Paulo também viaja assim. DJs e coletivos da cidade tocam em outros estados e fora do país e voltam com disco, referência e contato novos. Cada viagem traz um pedaço de outra pista para a de casa.
A sala do Nomadd
No site da Raver Lab, o Nomadd é uma sala escondida com sete objetos: os discos, o toca-discos, o mapa, o caderno, as fitas, a câmera e o olho. Cada um abre um pedaço da história de quem vive na estrada da música. A sala está em Nomadd.
Sem gênero fixo
O DJ que viaja muito raramente fica preso a um gênero. Numa mesma semana ele pode abrir uma festa às dez da noite, quando a pista ainda está chegando, e fechar outra às seis da manhã, quando o público quer peso. Cada horário pede um repertório, e o set muda sem mudar de dono.
É comum também o b2b, dois DJs dividindo a cabine e alternando faixa a faixa. Em turnê, o b2b junta gente de cidades e cenas diferentes, e cada um sai dali com um pedaço do repertório do outro.
A sala do Nomadd segue essa lógica: sete objetos e nenhum gênero. Os discos falam de influência, o mapa fala de rota, o caderno e as fitas guardam o que ficou de cada viagem.
O que vai na mochila
Além do pen drive e dos fones, quem toca fora leva o básico pra uma noite longa em lugar desconhecido: carregador, documento, uma muda de roupa e algo que aguente o calor da cabine e o frio da saída. Roupa larga e leve ocupa pouco espaço e serve nas duas pontas da noite.
O resto vai na cabeça: o nome de quem chamou, o horário do set e o caminho de volta pro hotel.
A linha Nomad da Raver Lab nasceu observando essas rotas. Peças feitas pra quem vive entre fusos horários e ainda assim chega pronto pra tocar ou pra dançar na primeira nota.